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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

As grandes contratações do futebol

Fala pessoal,

Faz um tempo que não escrevo por aqui, então peço desculpas.

Seguinte, já podemos perceber que o Campeonato Brasileiro deste ano estará rechado de craques, apesar de algumas saídas de peso (Vagner Love, por exemplo).

O que eu fico pensando aqui é no real valor que as grandes contratações trazem aos clubes.

Eu acho que o maior ganho, na verdade, é uma expectativa apenas: o valor da venda futura (como é o caso do Ganso no São Paulo, na minha opinião).

Está generalizada a crença de que o "marketing" envolvido na contratação dos jogadores caros compensa. Não sei se é bem assim viu.

Temos o "case" do Ronaldo. Esse foi fenômeno, claro. Não tem discussão.

Porém acho que o retorno que ele trouxe em marketing está muito mais ligado a um aspecto que vai além das suas qualidades técnicas, que é o que realmente move o torcedor: a emoção envolvida no esporte.

Na minha opinião, não há muito valor de marketing em trazer nomes como Pato, Vargas ou Montillo. E explico.

Ronaldo, Robinho e Luis Fabianos, por exemplo, trazem ao torcedor algo que não é medido em gols, assistênciasou potencial dentro de campo. Eles estão diretamente conectados ao sentimento do torcedor, e sua relação com as sensações que o futebol já lhe proporcionou. Veja, Ronaldo foi o grande ídolo da seleção por mais de uma década. Robinho é o símbolo do ressurgimento do Santos e o seu futebol alegre. Luis Fabiano foi o jogador "top" numa época não muito vitoriosa do São Paulo.

Enxergo nesses jogadores um potencial bem grande para atrair torcedores, justamente porque "falam" ao torcedor de uma maneira única, praticamente inexplicável por argumentos matématicos (apesar de ser mensuráveis em termos mercadológicos).

Agora, pensando nos outros casos, como Pato, Vargas e Montillo, vejo um potencial muito maior dos caras pra trazer pontos, vitórias e títulos do que receitas de marketing. Não estou ignorando que títulos trazem mais visibilidade ao clube, mas acho que deu pra entender que o argumento "compensa no marketing" não seria aplicável, mas sim o argumento "compensa no campo, e quem sabe, com isso, compensará com a visibilidade".

Não?

Abraços!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Quebrados

Fala pessoal,

Já falei um tempo atrás sobre o "verdadeiro salário dos jogadores de futebol".

Basicamente, tentei mostrar por meio de números como um jogador "top" ganha muito menos do que imaginamos quando dividimos seus salários por sua expectativa de vida - o cara ganha dinheiro dos 20 aos 35, mas vive até os 75...

Encontrei aqui um vídeo da série "30 for 30" feita pela ESPN Americana (da qual também já falamos) que fala sobre a mesma questão. Claro que o trabalho deles é muito mais minucioso, e conta com um elemento precioso: o depoimento dos próprios jogadores.

Entre outras questões associadas à falência financeira dos atletas, o filme aponta os gastos médicos "pós-carreira" e os gastos com divórcios e pensões alimentícias com que muitos atletas arcam.

Fica a dica de mais um filme sensacional.

http://www.youtube.com/watch?v=Vh79Cz6SNiM

Abraços

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A apagão no Brasil x Argentina

Fala pessoal,

Todo mundo sabe qual foi o fiasco da noite de ontem.

Achei muito engraçado, no entanto, que várias vozes tenham se erguido contra a intromissão da política argentina no futebol em razão desse fato.

Claro, existem várias (várias mesmo) críticas a se fazer pelo aproveitamento político do futebol. Eu sou bem contra, pra deixar claro.

O problema é querer associar o apagão a isso.

Claro, é verdade que o jogo foi marcado num estádio sem a devida estrutura por causa dos interesses políticos nacionais daquele país, não discordo. A questão é que um apagão poderia ter ocorrido em qualquer estádio! Simplesmente porque não foi algo previsível. Se acontecesse o mesmo na Bombonera ou no Morumbi ninguém falaria nada...

Claro, essa é a minha posição diante dos fatos que conhecemos! Se amanhã surgir uma informação de que o estádio não recebia manutenção há anos, ou que compraram os geradores mais baratos para a realização do jogo naquela localidade, ok, darei o braço a torcer.

Mas o fato do apagão não justifica, por si só, as críticas que tem sido feitas, na minha opinião.

Abraços

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sobre os pontos corridos

Fala pessoal,

Uma coisa que me deixa incomodado faz tempo é a falta de percepção da mídia com as peculiaridades dos campeonatos disputados em pontos corridos.

Basta um time perder duas partidas seguidas que já dizem que o rendimento do time caiu, que o time amarelou, etc.

Eu não estou dizendo que isso não pode acontecer, mas na maioria das vezes os caras que falam isso "apagam" uma coisa essencial: esse campeonato é jogado no sistema "todos contra todos"!

E o que isso tem a ver?

Imagina só. O Newcastle, time médio na Inglaterra, começa o campenato com 4 derrotas. Isso significa um mal começo? Não necessariamente!

Isso porque os 4 primeiros jogos do time podem ter sido contra Manchester, Arsenal, Liverpool e City. Dentro desse contexto, é previsível e "esperável" que tenha 4 derrotas.

A coisa muda se as 4 primeiras partidas forem contra times pequenos. Neste caso, se sucederem 4 derrotas poderia se falar em uma crise, ou um mal começo.

No Brasil, no entanto, basta o time perder 2 partidas que já vem bomba. A análise, no meu ponto de vista, tem que levar em conta quem são os adversários!!

É o caso do Palmeiras, na atual fase. Era previsível que o time poderia dar uma afundada nas últimas semanas, porque pegou times mais fortes. Da mesma forma, era previsível que ganhasse mais pontos quando enfrentasse times mais fracos. Ocorre que muitos jornalistas fecham os olhos para as peculiaridades dessas "ondas" de jogos difíceis/jogos fáceis, e seguem o caminho da crítica mais à mão.

Pena.

abraços!

Fim de semana

Fala pessoal,

Não é novidade pra ninguém que esse final de semana foi lamentável nos campos de futebol do país.

Pra mim, os dois fatos mais marcantes foram a "piração" do juiz que mandou retirarem a faixa que protestava contra a arbitragem (http://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/brasileiro/serie-a/ultimas-noticias/2012/10/01/arbitro-relata-protesto-e-atraso-nos-aflitos-mas-nao-explica-pedido-para-retirar-faixa.htm), e a confusão com a menina que queria a camisa do Lucas em Curitiba (http://www.espbr.com/noticias/lucas-lamenta-briga-causa-camisa).

O primeiro gera tristeza não só pelo aspecto esportivo da coisa. Quer dizer, nem muito de esporte tem essa polêmica.

Uma pessoa resolveu abrir uma faixa como protesto, e escolheu o estádio de futebol para isso. O árbitro de futebol (!!!) manda recolherem a faixa e os policiais obedecem.

Não sei o que é mais absurdo. Um árbitro achando que tem esse poder, os policiais obedecendo a uma ordem manifestamente ilegal (ao invés de "garantir a ordem", como sempre fazem - que neste caso seria assegurar o direito da pessoa que leveou a faixa), ou, mais absurdo ainda de acreditar: uma pessoa fazendo um protesto bacana num estádio! Rs, isso foi uma piada, ok, só pra deixar claro.

No segundo caso, a pretexto de impedir a entrada de um objeto são-paulino na torcida do Coxa, os torcedores quase violentaram uma garota de 13 anos e seu pai.

Isso diz muito sobre o que as pessoas vão fazer no estádio... poxa, se o cara estivesse ali pra se divertir será que compraria uma briga tão estúpida quanto esta? Fico me perguntando o que aconteceria se o Lucas perguntasse a um dos agitadinhos: "meu amigo, por que esse nervosismo? Você veio aqui se divertir? Acho que vir ao estádio está fazendo mal a você e a sua saúde". Infelizmente ele não foi sagaz no momento em que estava sob cusparadas.

Concluindo.

Nada disso que aconteceu foi novo. Toda semana vemos coisas que "gritam" que o esporte em geral não é encarado como deveria por torcedores, atletas e dirigentes.

O que achei bom nestes casos foi a atenção dada à inércia e incompetência das autoridades para lidar com o problema, nos casos em particular, a polícia.

Longe de mim ser extremista e chamar a polícia de fascista, etc, etc, como fazem alguns. O que é indiscutível, no entanto, é a pura incompetência nos casos.

Poxa, um árbitro dá uma ordem para retirar uma faixa e os caras obedecem? Isso não é má-fé do policial, é incompetência de não saber o que diz a leí.

Torcedores furiosos ameaçam uma garota de 13 anos por causa de uma camisa e os policiais não se movimentam? Isso não é má-fé, é incompetência de não conhecer o dever funcional que lhes cabe.

Enfim, e assim vai caminhando o esporte nacional.

E "esse é o país que vai receber...."

abraços!

terça-feira, 24 de julho de 2012

O óbvio jornalismo esportivo

Fala pessoal,

Tudo certo?

Como amante do esporte, esse é um tema sobre o qual sempre quis falar, porque me incomoda absurdo: a obviedade dos jornalistas esportivos, seja em alguma entrevista, algum comentário durante um transmissão ou um artigo em jornal.

Quantas mil vezes você (leitor, telespectador, etc) não ouviu a veeeelha pergunta "como é o sentimeno dessa vitória?".

Como diria o Neto, é brincadeira né?

Toda vez que um cara ganha um torneio, ou que um time é campeão, sempre vem aquele reporter fazer a pergunta do sentimento. Poxa, eu respondo por aqui pra que esses caras tem um "Copiar e colar": o sentimento é o melhor possível, foi muito duro, e isso é resultado de muito trabalho e dedicação.

Chega né! O cara tem dias e dias pra pensar numa pergunta bacana e manda um "qual é o sentimento?". Fala sério.

Nas transmissões de tênis também é muito clichê frases como "ah, ele tem que pegar a bola mais na frente do corpo", "não pode cometer erros bobos", "tem que por a bola na quadra", "tem que melhorar o aproveitamento de primeiro serviço", "não pode deixar o adversário crescer na partida", entre outros.

Aí eu te pergunto: alguém não sabe que não pode deixar o adversário crescer na partida? Alguém acha que o tenista não quer melhorar o aproveitamento de primeiro serviço?

Os jornalistas responsáveis por essas pérolas tem que saber que o que vai diferenciá-los é dizer COMO o cara poderia melhorar o aproveitamento de primeiro serviço (mudando a empunhadura, fazendo um toss mais alto, direcionando o corpo para determinada direção no movimento do saque, etc).

Eu fico triste porque sei que existem profissionais que saberiam muito bem falar sobre isso, e eles não estão na televisão, no jornal, ou nos grandes veículos de mídia.

Um deles é o Paulo Murilo, que tem um dos melhores blogs de basquete que eu já vi (antes que falem alguma coisa, eu nem conheço ele, só leio o blog). O cara, ao invés de usar os clichês, tipo "falta personalidade ao time", ensina o basquete: o armador tem que jogar perto do seu marcador para abrir espaços, etc.

Outro cara que entende muito de tênis mas que não tem muita fama é o Carlos Chabagoilty, um treinador que, de fato, faz milagres com os garotos que treina. Eu vi com meus próprios olhos ele olhar para um garoto em treinamento na quadra por 3 minutos e fazer o aproveitamento de saque dele melhorar com uma frase. Isso eu digo porque eu vi (e ouvi) ele reensinando o garoto, que era federado por um grande clube.

A diferença desses caras é não usar aqueles "lenga-lengas" que quaquer um que já levou o esporte mais a sério já ouviu na vida. Frases que todo treinador meia boca repete sem saber que o que falou não tem sentido prático nenhum.

Todo mundo sabe que você tem que jogar com "raça", "personalidade", "dedicação", "vontade", "sangue nos olhos", etc. O que poucos sabem (e esses são os bons) é como melhorar um atleta sem se basear nesses incentivos de lugar comum.

Da mesma forma que fazem os treinadores, fazem os jornalistas.

Esse post é um desabafo mesmo, porque essas frases prontas irritam mesmo!

Vamos a algumas delas?

"Você vem para ser titular ou para compor o elenco?"
"Você acha que tem espaço nesse elenco do XX?"
"Agora é a hora de não errar" (qual é a hora de errar, mesmo?)
"Qual time vocês preferem pegar na final?" (essa é a que dá nos nervos!! Alguma dúvida de que a resposta será sempre que o time que ser campeão não escolhe adversário?
"Qual a emoção de jogar essa final?"
"Vocês tem chance de ganhar o campeonato?" (queria ver um dia o Loco Abreu falando na lata um "não!")
"Não pode perder a concentração"

Quem lembrar de mais alguma pode mandar aí!

Abraços!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Atletas e sua imagem

Fala pessoal,

Tudo certo?

Esse episódio com a Iziane me fez parar pra pensar na despreocupação que a maioria dos atletas tem com a sua imagem durante a carreira.

Como bem sabemos, é muito difícil para um atleta profissional manter seus rendimentos ($$) quando finda sua carreira dentro das quadras.

Por isso eu fico indignado com histórias como a da Iziane. Poxa, querendo ou não, a menina é a melhor jogadora brasileira dos últimos anos, e podia estabelecer-se como símbolo de uma geração. Tudo bem que, provavelmente, seria símbolo de uma geração com poucas vitórias, mas pelo menos seria lembrada como "dona" de uma época.

Parei pra pensar no quanto casos como estes podem afetar o bolso de um atleta, especialmente em sua "aposentadoria".

Evidente que enquanto a Iziane (por exemplo) continuar "entregando" dentro de quadra, dificilmente faltará uma equipe querendo contratá-la. Mas e depois? Como fica?

Vejo a mesma coisa acontecendo com o Ronaldinho Gaucho, com a diferença de que ele está num patamar em que dificilmente faltará dinheiro. Mas o caso é o mesmo. O cara tinha tudo para ter uma imagem fenomenal por 50 anos (ou eternamente), e deixou esta imagem ser corroída por histórias evitáveis.

Do lado oposto, apenas para visualizar melhor, vejo o Denilson. O cara cultivou uma imagem simpática durante toda a carreira de jogador, sempre atencioso e até mesmo engraçado. Finda sua carreira, rapidamente virou objeto de desejo de emissoras de TV. Outros exemplos que enxergo são o Tande e o Giovane do Volei. Cara, o Giovane tá fazendo propaganda de faculdade às custas de uma imagem estabelecida há 20 anos!

Na minha opinião, o que acontece em casos como o da Iziane ou do Ronaldinho é uma miopia por parte dos atletas mesmo. Eles não conseguem ver, em momentos críticos, que sua carreira não necessariamente tem 10, 15 anos, mas que ela poderia ter 30 ou 40 anos.

Apenas para finalizar com outro exemplo admirável de cuidado com a imagem, indico as irmãs gêmeas do nado sincronizado, Bia e Branca, que estiveram ontem no programa do Danilo Gentili.

Essas duas vieram de um esporte completamente marginal na cultura do país, não tem o melhor retrospecto dentro da piscina, e mesmo assim são símbolo de sua época. Por isso conseguiram não apenas chamar mais atenção para toda a modalidade, mas também contratos publicitários significativos - elas vão para as Olimpiadas contratadas pela Adidas, mesmo não tendo se classificado!! Parabéns a elas.

Esses casos de sucesso, no entanto, são exceções no Brasil, concordam?

E depois ainda querem falar de "planejamento esportivo" por aqui...

Abraços!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Jogador de futebol ganha tudo isso?

Fala pessoal,

O "bicho" dos jogadores do Corinthians pela final na Libertadores (100 mil reais, de acordo com o Blog do Perrone: http://blogdoperrone.blogosfera.uol.com.br/2012/06/corinthians-paga-r-100-mil-para-cada-jogador-por-vaga-na-final-santos-daria-r-30-mil/), somado a uma conversa que tive com um amigo meu nessa semana me levaram a fazer esse post.

Esse amigo levantou uma bola bem estranha sobre os salários dos jogadores. Ele me disse: "Zacha, você realmente acha que jogador de futebol ganha 300, 400 mil reais por mês? A conta não fecha, rapaz!".

Ele levantou uma suspeita que tem certo fundamento, e deixa uma dúvida no ar. Pelo menos deixou pra mim.

E a suspeita que esse cara levantou cria uma tese bem didática que explicaria muita coisa sobre o mundo do futebol de hoje, como o ódio a certos empresários, a razão dos salários serem tão altos, etc.

Bom, vamos lá.

Todos os dias lemos sobre os jogadores de times grandes que ganham centenas de milhares de reais por mês. Isso não é novidade.

Todos os dias também lemos sobre o crescimento da dívida dos clubes de futebol. A primeira dúvida já surge aqui: porque um clube endividado continua pagando salários astronômicos aos jogadores de futebol?

Sem fazer falsas acusações, nem apontar o dedo para ninguém em específico, o cara manifestou sua opinião: o clube de futebol virou um meio para fazer o dinheiro passar do "bolso" do clube para o "bolso" de certas pessoas apadrinhadas.

Aí foi que eu pensei: "bom, qual é o problema do clube passar o seu dinheiro pro bolso dos craques de bola? Os melhores funcionários tem que ganhar bem mesmo".

Pois a resposta, ao mesmo tempo que me assutou, fez refletir:

"A grana não deve ir pro bolso dos jogadores, mas sim pro bolso de empresários, dirigentes, técnicos. O salário pago ao jogador deve ser fatiado entre esse caras depois. Assim a grana sai licitamente do cofre do clube e vai pro bolso de quem eles quiserem depois, fazendo só um pit stop na conta do jogador".

Deu pra entender?

Pra ele, os 400/500 mil reais de salário que achamos que pagam ao jogador, na verdade, teriam outro destinatário. A grana não ficaria inteira com o atleta.

Vou confessar pra vocês. Eu não tenho grande vivência nesse mundo do futebol, e acho que nem esse amigo tem. Mas essa tese dele é interessante, no mínimo.

Claro, de qualquer jeito o jogador ganha muito dinheiro, senão não teria como comprar um carrão, uma casa na praia, jóias, relógios, etc. Mas não seria taanto dinheiro assim.

E esse esquema explicaria também o motivo de tanta alegria e histórias de confusões com os "bichos" pagos aos jogadores.

Segundo a teoria desse cara, o "bicho" é um valor que ficaria inteiramente pro jogador, que ele não teria que dividir com empresários/técnicos que os escalam.

Por isso o bicho motivaria tanto os jogadores.

Pra quem não sabe, em jogos importantes, o valor não passa nem perto desses 100 mil reais que o Corinthians teria oferecido ao seu elenco pela chegada à final da Libertadores.

Geralmente fala-se em 2 ou 3 mil reais por jogo.

E mesmo assim ouvimos direto histórias de brigas ferrenhas entre jogadores/técnicos/diretoria por causa de bichos não pagos corretamente.

Mas 2 ou 3 mil reais não seriam muito pouco pra um jogador que ganha 300, 400 mil reais por mês brigar?

Pois é, seriam.

Mas e se, na verdade, ele não ganhasse tanto assim?

Fiquei com a pulga atrás da orelha...

Abraços!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Caso Valdívia

Fala pessoal,

Resolvi escrever esse post pra falar de uma coisa que jornalista nenhum se toca quando fala de contrato de jogador.

Rolou essa história de que o Valdívia queria sair do Palmeiras após seu sequestro.

Vários jornalistas disseram "uai, se ele quiser sair, é só pagar a multa e sair", afinal ele está preso ao contrato com o Palmeiras.

A análise jurídica não é de todo incorreta, porque, de fato, ele tem um contrato com prazo determinado e deve cumpri-lo até o final. Se quiser sair, paga a multa.

Porém, o que todo mundo esquece é que no caso de um jogador de futebol, diferentemente de um funcionário qualquer com contrato por prazo determinado, existem estratégias que o jogador pode usar para ganhar força na sua negociação.

Vejam, eu NÃO estou dizendo que o Valdivia fez, está fazendo ou fará isso. O que eu estou dizendo é que essas estratégias existem, e são motivo de temor pelos clubes em negociações deste tipo.

Explico uma das "estratégias", para depois relacioná-la ao caso.

A mais básica é o famoso "corpo mole".

Num contrato por prazo determinado com um funcionário de uma empresa, caso ele não esteja indo trabalhar, ou não cumpra certas determinações do empregador, ele pode ser demitido por justa causa, e aí a empresa não tem que pagar multa nenhuma.

No caso de um jogador de futebol com contrato por prazo determinado, no entanto, a coisa se complica um pouco, porque o empregador não tem como dizer que o funcionário (jogador) não está cumprindo suas ordens para demiti-lo por justa causa e não pagar a multa!

Claro, se o jogador faltar em treinos, xingar todo mundo ou agredir alguém, o Palmeiras pode demiti-lo.

Mas e se o jogador comparece nos treinos, mantem-se "na linha", mas joga mal de propósito em treinos/jogos? Como você vai dizer que ele não está cumprindo o contrato? Como você vai dizer a um juiz que há uma justa causa para ele ser demitido?

Pois aí que está, não há justa causa por um jogador jogar mal!

E como isso influencia em casos como o do Valdívia?

Vamos dizer que o Palmeiras force a mão e exija que o Valdivia fique se não pagar a multa. Isso, num primeiro olhar, é o correto a se fazer, pois o clube perderia dinheiro deixando o jogar ir embora de graça.

Porém, vamos supor que o Valdívia falasse: "Ok, eu vou ficar. Treinarei, obedecerei. Mas vou ser um cone em campo".

A partir daí, o Palmeiras teria sim um jogador. Mas teria apenas o prejuízo de pagar-lhe os salários, porque ele não serviria de nada ao clube.

Sendo um salário alto, o Palmeiras, no fim, teria um prejuízo, e não um lucro ao manter o Valdívia até o final de seu contrato, porque jamais poderia extinguir seu contrato sem provar que ele está fazendo corpo mole de propósito, o que é literalmente impossível numa ação na justiça, desde que o atleta fosse em todos os treinos, etc (seria a chamada "prova diabólica").

Notem como a questão foge do aspecto jurídico, tendo uma cargam muito mais negocial.

De um lado, o clube garantiria que não libera o jogador antes do final do contrato, correndo o risco de ele virar um cone propositalmente.

De outro lado, o jogador garantiria que virará um cone caso não seja liberado, correndo o risco de fazer ruir sua carreira se assim o fizer de verdade.

Abraço

OBS: Mais uma vez: não estou dizendo que o Valdivia fez, está fazendo ou fará isso. Apenas estou usando o caso como exemplo, até porque este sempre foi (e acho que sempre será) um atleta exemplar no aspecto do profissionalismo, na minha opinião.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Pegadinha no Rooney

Fala pessoal,

Achei um vídeo engraçado aqui.

É um pouco antigo já (2007), mas eu nunca tinha visto.

O Ferdinand, companheiro do Rooney no Manchester United, armou uma pra ele ficar mal na frente de um "inocente" garoto. Vejam aí!

http://www.youtube.com/watch?v=E0ElYE0pCf4&feature=g-vrec&context=G259b557RVAAAAAAAAAA

Abraços!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Análise tática do Barça

Fala pessoal,

Uma das melhores análises táticas que já vi do Barcelona está neste vídeo na internet: http://www.youtube.com/watch?v=qL54a_Ft05M .

Ao invés de ficar falando sobre a "personalidade" do time ou sobre o "estilo de jogo" do time, o autor do vídeo mostra como, de fato, os jogadores se comportam para aplicar a "filosofia" de jogo.

Muito mais do que confiar na qualidade dos seus jogadores, o Bacelona de fato tem um perfil tático, isto é, a estratégia de saída de bola não é "toque para o volante", ou "faça ligação direta". Eles tem instruções claras do que fazer com a bola em cada situação de jogo, e o que fazer sem ela.

O que me chamou mais atenção do vídeo é a hora que a legenda diz que é necessário fazer o campo ficar grande quando você tem a bola, e pequeno quando está sem ela(a partir de 06:02). Isso é tática de verdade.

Abraço

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Técnicos e treino no futebol

Fala Pessoal,

Acabo de ler o post do Cosme Rímoli sobre a reserva de mercado do posto de técnico da seleção brasileira de futebol. Gostei. E vou além.

Não sei quem já teve oportunidade de jogar futebol, ou treinar o esporte um pouco mais a sério.

Quem já treinou sabe como é o "esquema" de treino que predomina, na maioria das vezes. Não muda muita coisa de treinador para treinador. Claro, cada um tem suas preferências no esquema tático, mas o grosso não muda muita coisa não. Nunca você vai ouvir um jogador falando que tal treinador fez um treino que ele nunca viu na vida.

As únicas exceções de que eu já ouvi falar foram o Guardiola e o Mourinho. Do treino do primeiro dizem que os caras quase não conseguem andar depois, de tão cansados.

Aqui no Brasil, é raro ver jogador encarando o treino 100% do tempo como se fosse jogo. Até porque muitos se poupam durante o treino físico para o hora do coletivo, que é quando o treinador dá mais atenção as desempenho do elenco.

Bom, passada essa breve crítica, começo outra.

Na minha visão, falta ao treinador de futebol, o brasileiro inclusive, o olhar microanalítico de jogo.

O que raios é esse olhar "microanalítico"?

Para ilustrar, a análise "macro" seria falar: o time teve bastante posse de bola, deu muitos chutes no gol, usou bastante a linha de fundo. Essa é a análise que praticamente todo mundo faz hoje em dia, tanto técnicos, quanto jogadores, e, principalmente, a imprensa.

A análise "micro", por outro lado, seria falar: qual jogador teve mais posse de bola; em que região do campo ele teve a posse de bola; de onde chutamos no gol; quem chutou no gol; por onde saiu o chute errado; quantos cruzamentos foram certos, etc.

Deu pra entender?

Hoje praticamente nenhum técnico analisa minuciosamente os dados de sua equipe, pra saber, por exemplo, quantos cruzamentos o lateral de fato cruzou certo.

Esses dias eu li que já existe uma empresa fazendo estatística esportiva no Brasil, e ela indicou, por exemplo, que o melhor "cruzador" do país é o Leo Moura, que acerta 27% das tentativas.

27%!!! Isso é uma em cada quatro!!

Se fosse treinador, diante de um número desses do melhor cruzador do Brasil, eu proibiria qualquer jogador meu de cruzar a bola, porque o aproveitamento seria melhor se recomeçasse a jogada.

Esse é só um exemplo do "amadorismo profissional" que ainda existe no maior esporte do país.

Abraços!