Fala pessoal,
Tudo certo?
Esse episódio com a Iziane me fez parar pra pensar na despreocupação que a maioria dos atletas tem com a sua imagem durante a carreira.
Como bem sabemos, é muito difícil para um atleta profissional manter seus rendimentos ($$) quando finda sua carreira dentro das quadras.
Por isso eu fico indignado com histórias como a da Iziane. Poxa, querendo ou não, a menina é a melhor jogadora brasileira dos últimos anos, e podia estabelecer-se como símbolo de uma geração. Tudo bem que, provavelmente, seria símbolo de uma geração com poucas vitórias, mas pelo menos seria lembrada como "dona" de uma época.
Parei pra pensar no quanto casos como estes podem afetar o bolso de um atleta, especialmente em sua "aposentadoria".
Evidente que enquanto a Iziane (por exemplo) continuar "entregando" dentro de quadra, dificilmente faltará uma equipe querendo contratá-la. Mas e depois? Como fica?
Vejo a mesma coisa acontecendo com o Ronaldinho Gaucho, com a diferença de que ele está num patamar em que dificilmente faltará dinheiro. Mas o caso é o mesmo. O cara tinha tudo para ter uma imagem fenomenal por 50 anos (ou eternamente), e deixou esta imagem ser corroída por histórias evitáveis.
Do lado oposto, apenas para visualizar melhor, vejo o Denilson. O cara cultivou uma imagem simpática durante toda a carreira de jogador, sempre atencioso e até mesmo engraçado. Finda sua carreira, rapidamente virou objeto de desejo de emissoras de TV. Outros exemplos que enxergo são o Tande e o Giovane do Volei. Cara, o Giovane tá fazendo propaganda de faculdade às custas de uma imagem estabelecida há 20 anos!
Na minha opinião, o que acontece em casos como o da Iziane ou do Ronaldinho é uma miopia por parte dos atletas mesmo. Eles não conseguem ver, em momentos críticos, que sua carreira não necessariamente tem 10, 15 anos, mas que ela poderia ter 30 ou 40 anos.
Apenas para finalizar com outro exemplo admirável de cuidado com a imagem, indico as irmãs gêmeas do nado sincronizado, Bia e Branca, que estiveram ontem no programa do Danilo Gentili.
Essas duas vieram de um esporte completamente marginal na cultura do país, não tem o melhor retrospecto dentro da piscina, e mesmo assim são símbolo de sua época. Por isso conseguiram não apenas chamar mais atenção para toda a modalidade, mas também contratos publicitários significativos - elas vão para as Olimpiadas contratadas pela Adidas, mesmo não tendo se classificado!! Parabéns a elas.
Esses casos de sucesso, no entanto, são exceções no Brasil, concordam?
E depois ainda querem falar de "planejamento esportivo" por aqui...
Abraços!
Mostrando postagens com marcador Iziane. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Iziane. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 20 de julho de 2012
O corte da Iziane
Fala pessoal,
Nesta quinta-feira a noite o blog Bala na Cesta anunciou o que viria a ser confirmado pela CBB hoje de manhã: Iziane foi cortada da equipe feminina.
Para muitos, essa foi uma notícia previsível diante do comportamento conhecido da atleta.
Iziane, para quem não sabe, abertamente se colocava como "estrela e grande jogadora", e jamais aceitou, por exemplo, ficar na reserva em determinada situação de jogo, independente do que pensasse o técnico.
Essa afirmação é fato, basta ver os vídeos abaixo, com palavras de própria atleta, ditas após o episódio em que se recusou a voltar para a quadra a pedido do técnico Paulo Bassul, na derrota para Bielorussia:
http://www.youtube.com/watch?v=qowXmz7T2cg ("toda estrela é assim (...) grandes jogadores são assim").
http://www.youtube.com/watch?v=6SK9n6Ati34&feature=related ("supostamente a estrela da sua equipe, que é o que todos vocês falam").
Neste entrevista dada após o jogo, o técnico deixou bem claro o que achava: Iziane não tinha virado as costas para ele, mas sim para suas companheiras e para o país que representa. Justo.
http://www.youtube.com/watch?v=STMPr40mF-8
O que parece que Iziane não entendeu à época, e não sei se entende agora, é que sua opinião acerca de como o time deve ser comandado é... só mais uma opinião! É literalmente impossível comandar um time em que 12 jogadoras decidam como vai ser comando, pelo simples fato de que cada uma vai querer uma coisa.
É por este motivo que existe um técnico. Para que alguém tome as decisões pensando no grupo, no coletivo, e não em si mesmo. Claro, pois se todas as jogadoras fossem decidir, todas se escalariam!
A única experiência contrária a esta lógica foi a democracia corintiana, e não me parece que as jogadoras do time de basquete (tomando como exemplo a própria Iziane) tenham esclarecimento suficiente para implantar algo semelhante, afinal, se uma delas já se acha uma estrela...
A minha opinião é que jogar na seleção brasileira não tem nada a ver com a Iziane. Ela simplesmente não quer isso para a vida dela, pois se quisesse, naturalmente se comportaria de forma diferente. Simples assim.
Uma vez que tanto faz jogar na seleção, não existe motivo para ela ser convocada. Digo isso porque, pessoalmente acho que a jogadora não pode pensar em representar seu país como uma obrigação. Ela tem que querer muito estar ali, para fazer o melhor de si e, no fim das contas se divertir. A pessoa tem que ser grata por estar ali, e pela experiência de vida que esta desfrutando!
No caso da Iziane, parecia que era ela quem fazia um favor à seleção.
O que muito me espanta, como espantou desde o episódio "estrela", é o fato de não termos ouvido UMA declaração de alguma colega de time, que se levantasse em defesa da Iziane ou do técnico. Possivelmente é um medo justificável (ninguém quem ficar mal com o técnico ou com a companheira), mas eu gostaria de ver um time mais bruto, mais brigador, tanto dentro como fora da quadra.
Enfim, o que vai sobrar deste episódio não vai ser Iziane, não vai ser Hortência. Vai ser a dúvida: onde está o basquete feminino brasileiro?
Abraços
PS: pessoal, para quem quiser acompanhar melhor o assunto, entre no blog Bala na Cesta, que foi o que deu a notícia em primeira mão. O link está no final desta página.
Nesta quinta-feira a noite o blog Bala na Cesta anunciou o que viria a ser confirmado pela CBB hoje de manhã: Iziane foi cortada da equipe feminina.
Para muitos, essa foi uma notícia previsível diante do comportamento conhecido da atleta.
Iziane, para quem não sabe, abertamente se colocava como "estrela e grande jogadora", e jamais aceitou, por exemplo, ficar na reserva em determinada situação de jogo, independente do que pensasse o técnico.
Essa afirmação é fato, basta ver os vídeos abaixo, com palavras de própria atleta, ditas após o episódio em que se recusou a voltar para a quadra a pedido do técnico Paulo Bassul, na derrota para Bielorussia:
http://www.youtube.com/watch?v=qowXmz7T2cg ("toda estrela é assim (...) grandes jogadores são assim").
http://www.youtube.com/watch?v=6SK9n6Ati34&feature=related ("supostamente a estrela da sua equipe, que é o que todos vocês falam").
Neste entrevista dada após o jogo, o técnico deixou bem claro o que achava: Iziane não tinha virado as costas para ele, mas sim para suas companheiras e para o país que representa. Justo.
http://www.youtube.com/watch?v=STMPr40mF-8
O que parece que Iziane não entendeu à época, e não sei se entende agora, é que sua opinião acerca de como o time deve ser comandado é... só mais uma opinião! É literalmente impossível comandar um time em que 12 jogadoras decidam como vai ser comando, pelo simples fato de que cada uma vai querer uma coisa.
É por este motivo que existe um técnico. Para que alguém tome as decisões pensando no grupo, no coletivo, e não em si mesmo. Claro, pois se todas as jogadoras fossem decidir, todas se escalariam!
A única experiência contrária a esta lógica foi a democracia corintiana, e não me parece que as jogadoras do time de basquete (tomando como exemplo a própria Iziane) tenham esclarecimento suficiente para implantar algo semelhante, afinal, se uma delas já se acha uma estrela...
A minha opinião é que jogar na seleção brasileira não tem nada a ver com a Iziane. Ela simplesmente não quer isso para a vida dela, pois se quisesse, naturalmente se comportaria de forma diferente. Simples assim.
Uma vez que tanto faz jogar na seleção, não existe motivo para ela ser convocada. Digo isso porque, pessoalmente acho que a jogadora não pode pensar em representar seu país como uma obrigação. Ela tem que querer muito estar ali, para fazer o melhor de si e, no fim das contas se divertir. A pessoa tem que ser grata por estar ali, e pela experiência de vida que esta desfrutando!
No caso da Iziane, parecia que era ela quem fazia um favor à seleção.
O que muito me espanta, como espantou desde o episódio "estrela", é o fato de não termos ouvido UMA declaração de alguma colega de time, que se levantasse em defesa da Iziane ou do técnico. Possivelmente é um medo justificável (ninguém quem ficar mal com o técnico ou com a companheira), mas eu gostaria de ver um time mais bruto, mais brigador, tanto dentro como fora da quadra.
Enfim, o que vai sobrar deste episódio não vai ser Iziane, não vai ser Hortência. Vai ser a dúvida: onde está o basquete feminino brasileiro?
Abraços
PS: pessoal, para quem quiser acompanhar melhor o assunto, entre no blog Bala na Cesta, que foi o que deu a notícia em primeira mão. O link está no final desta página.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Brasil x EUA - Feminino
Fala pessoal,
Nesta segunda-feira a seleção feminina de basquete jogou contra os EUA, em partida amistosa preparatória para os jogos olímpicos.
A derrota por 99x67 foi mais do que justa, na minha opinião. Achei o time brasileiro surpreendentemente inferior ao americano. Claro, favoritismo sempre haverá, mas achei que o time brasileiro foi atropelado "demais".
Desde o começo do jogo o Brasil sentiu demais a marcação pressão feita na quadra inteira pelas americanas. Mas, numa boa, time profissional tomar sufoco em marcação pressão é dureza. Parecia que o time tinha sido surpeendido com a postura defensiva americana, o que não é tolerável jamais.
Para deixar bem claro, o que não acho tolerável é a surpresa, não a derrota. Acredito que um time que quer vencer, especialmente num ano olímpico, deve estar preparado pra tudo.
Fora isso, vi algumas coisas que eu, pessoalmente, não gostei, e dou alguns exemplos.
Mesmo com a dificuldade de levar a bola até a quadra de ataque, não vi nenhuma vez uma pivô "escoltar" a armadora para o ataque, quando esta estava sendo marcada individualmente. E isso é a coisa mais básica do basquete! Uma pivô, no mínimo, tem que fazer uma sombra sobre a armadora adversária para ajudar a nossa armadora a chegar no ataque.
Também não gostei de não ter visto corta-luz algum fora da linha dos três na nossa ofensiva. Vi sim muitos corta-luzes feitos lá embaixo, no garrafão, com o intuito principal de propiciar às nossas alas receberem a bola com mais espaço, mas não vi nenhum feito para ajudar nossa armadora a trabalhar a bola menos abafada na região da cabeça do garrafão.
Detalhes como esse, na minha opinião, fizeram com que cada vez mais as jogadores chutassem desequilibradas, o que, obviamente, aumenta o percentual de erros.
Por último, destaco a "pressa" do time.
O ritmo imposto em jogos nesse nível é muito rápido, e a transição defesa-ataque dos dois times geralmente é muito forte. Mas o time não pode confundir a velocidade com a pressa! Uma vez que temos a bola na quadra de ataque, é tarefa da jogadora definir de forma equilibrada, seja antes dos 10 segundos de posse de bola (contra-ataque), seja perto dos 24 segundos.
Exemplo do que disse no último parágrafo foi uma jogada da Iziane no primeiro quarto, quando, num contra-ataque em que tinha duas companheiras livres, ou a opção de ir para a bandeja no 1x1, ela fez uma "parada brusca" e chutou da cabeça do garrafão. Errou.
Sobre esse jogo era o que tinha a dizer. Agora vou voltar ao jogo masculino, liderado, por enquanto pelo Brasil.
Toma essa, Obama!
Abraços
Nesta segunda-feira a seleção feminina de basquete jogou contra os EUA, em partida amistosa preparatória para os jogos olímpicos.
A derrota por 99x67 foi mais do que justa, na minha opinião. Achei o time brasileiro surpreendentemente inferior ao americano. Claro, favoritismo sempre haverá, mas achei que o time brasileiro foi atropelado "demais".
Desde o começo do jogo o Brasil sentiu demais a marcação pressão feita na quadra inteira pelas americanas. Mas, numa boa, time profissional tomar sufoco em marcação pressão é dureza. Parecia que o time tinha sido surpeendido com a postura defensiva americana, o que não é tolerável jamais.
Para deixar bem claro, o que não acho tolerável é a surpresa, não a derrota. Acredito que um time que quer vencer, especialmente num ano olímpico, deve estar preparado pra tudo.
Fora isso, vi algumas coisas que eu, pessoalmente, não gostei, e dou alguns exemplos.
Mesmo com a dificuldade de levar a bola até a quadra de ataque, não vi nenhuma vez uma pivô "escoltar" a armadora para o ataque, quando esta estava sendo marcada individualmente. E isso é a coisa mais básica do basquete! Uma pivô, no mínimo, tem que fazer uma sombra sobre a armadora adversária para ajudar a nossa armadora a chegar no ataque.
Também não gostei de não ter visto corta-luz algum fora da linha dos três na nossa ofensiva. Vi sim muitos corta-luzes feitos lá embaixo, no garrafão, com o intuito principal de propiciar às nossas alas receberem a bola com mais espaço, mas não vi nenhum feito para ajudar nossa armadora a trabalhar a bola menos abafada na região da cabeça do garrafão.
Detalhes como esse, na minha opinião, fizeram com que cada vez mais as jogadores chutassem desequilibradas, o que, obviamente, aumenta o percentual de erros.
Por último, destaco a "pressa" do time.
O ritmo imposto em jogos nesse nível é muito rápido, e a transição defesa-ataque dos dois times geralmente é muito forte. Mas o time não pode confundir a velocidade com a pressa! Uma vez que temos a bola na quadra de ataque, é tarefa da jogadora definir de forma equilibrada, seja antes dos 10 segundos de posse de bola (contra-ataque), seja perto dos 24 segundos.
Exemplo do que disse no último parágrafo foi uma jogada da Iziane no primeiro quarto, quando, num contra-ataque em que tinha duas companheiras livres, ou a opção de ir para a bandeja no 1x1, ela fez uma "parada brusca" e chutou da cabeça do garrafão. Errou.
Sobre esse jogo era o que tinha a dizer. Agora vou voltar ao jogo masculino, liderado, por enquanto pelo Brasil.
Toma essa, Obama!
Abraços
Assinar:
Postagens (Atom)