terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Invasão e rolezinho são a mesma coisa?

Fala pessoal,

Hoje a ESPN divulgou esta notícia:

http://espn.uol.com.br/noticia/386791_para-delegado-invasao-de-ct-corintiano-tem-cara-de-rolezinho

Na minha opinião, pelos motivos que já expliquei no post anterior, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Invasão criminosa, com formação de quadrilha, é bem diferente de "rolezinho".

A invasão do Corinthians teve como precedente uma "combinação" para que outros crimes sérios fossem praticados, enquanto o rolezinho pode ser definido até por seus maiores críticos como "baderna". Baderna é bem diferente de crime.

Espero muito que a invasão seja investigada de uma forma diferente dos rolezinhos.

Ainda não ouço nada sobre investigação específica de crime de quadrilha. Nem por parte da polícia, nem por parte do Ministério Público.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Possibilidade única de punição aos invasores do Corinthians. Eles praticaram o crime de quadrilha. Análise jurídica do caso.

Fala pessoal,

Tudo bom?

Seguinte, diante dos lamentáveis acontecimentos ocorridos neste último final de semana, resolvi escrever aqui. Percebi que muita gente está falando besteira, então fui atrás de uma advogada criminalista para esclarecer algumas coisas, especialmente a respeito das medidas que poderiam ou deveriam ser tomadas a partir de agora, tanto pelo clube Corinthians (e seu presidente) como pelas autoridades competentes.

Vamos lá?

Primeiro: o Corinthians, a polícia e o Ministério Público têm nas mãos uma oportunidade única de dar o exemplo para as torcidas organizadas, prendendo vários de seus membros pela prática de crimes mais graves, como a formação de quadrilha.

Bastante gente se pergunta como ainda existem torcidas organizadas. Como a polícia, o Ministério Público e o governo deixam esses caras que só fazem confusão existirem e continuarem aí, soltos?

O grande problema, na maioria dos casos, está na impossibilidade de “fechar” uma torcida organizada (uma pessoa jurídica - associação civil), por causa de atitudes de pessoas físicas que não as representam legalmente (os associados). Vale dizer: a pessoa do associado não se confunde com a pessoa da associação.

Outro problema é este: os crimes praticados pelos torcedores tem penas muito baixas geralmente (máximo de 2 anos).

O “B.O” (boletim de ocorrência) dificilmente resulta em prisão, porque esses crimes de penas baixas (lesão corporal, promoção de tumulto, dano, ameaça, etc) permitem um “acordo”, por meio do qual o criminoso paga uma multa, cumpre serviços comunitários ou sofre outros tipos de pequenas restrições.  

Assim, geralmente a polícia, o Ministério Público e o Judiciário ficam de mãos atadas. A lei não permite a punição rigorosa.

Acontece que NESTE CASO DA INVASÃO, é possível dizer que várias das pessoas envolvidas também praticaram crimes bem mais graves do que estes aí de cima. Crimes que podem leva-los de verdade à prisão.

Claro, a “Associação Torcida Organizada” não deixaria de existir, até porque não é responsável por atos de seus membros, mas perderia bastante força seu lado “reprovável” com a punição dos membros que SÃO EFETIVAMENTE bagunceiros (os de boas intenções não são punidos).

Querem ver?

O crime de quadrilha, que hoje se chama “crime de Associação Criminosa”, está no Artigo 288 do Código Penal, e diz assim: 

Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

Em todos os casos envolvendo torcidas organizadas, o problema sempre foi com este trechinho da lei “fim específico de cometer crimes”, porque por mais que os organizados fossem no estádio juntos, considera-se que eles não se juntaram especificamente pra brigar ou para praticar crimes.

Mas neste caso específico da invasão, é muito claro que aquelas pessoas que se reuniram e invadiram o Corinthians tinham sim o fim específico de cometer crimes (no plural).

Os crimes seriam: ameaça, dano, constrangimento ilegal, violação de domicílio, esbulho possessório e lesão corporal, no mínimo. Não vou falar do furto de celulares, porque, ao menos em tese, os caras não entraram no clube com este fim específico.

Fica claro, então, que ao menos desta vez existe uma claríssima oportunidade de punir mais rigorosamente os briguentos invasores. Eles teriam praticado o crime de quadrilha.

E sabem o que é bom? O Corinthians não precisaria mover uma palha para que os invasores fossem punidos pelo crime de quadrilha, pois a polícia é obrigada a investigar esse crime, queira o Corinthians ou não. Juridicamente: o crime não depende de representação (o que acontece com vários dos outros crimes: lesão corporal, dano, etc).

Para que a polícia investigue o crime de quadrilha, basta que chegue a ela uma “notícia” de que tal crime foi praticado. O mesmo com o crime de constrangimento ilegal, por exemplo.

Assim, por mais que o Corinthians não precise fazer nada, seria de muito bom tom que apresentasse, junto com a petição que o presidente Mario Gobbi falou que vai apresentar, um pedido de apuração do crime de quadrilha também.

Vamos falar de outras coisas jurídicas que cercam o caso?

O presidente Mario Gobbi falou que vai tomar todas as atitudes que cabem a ele e ao Corinthians.

Acontece que em casos criminais, muitas vezes a atuação da polícia e do Ministério Público dependem da vontade da vítima. Ou seja, estes dois órgãos só podem atuar se a vítima “representar” a vontade de que seus agressores sejam punidos.

Gostaria de saber se o presidente do Corinthians, como representante da vítima (clube), vai apresentar uma representação pelo crime de dano (artigo 163 do Código Penal) por exemplo? Isso não ficou claro em sua entrevista.

Gostaria de saber também se o presidente vai propor uma ação de reparação de danos materiais contra os invasores que forem identificados? Claro, além dos danos físicos que o clube sofreu (grade arrebentada, no mínimo), o clube também sofreu um dano à sua imagem com a invasão ilícita. Isso não ficou claro em sua entrevista.

Também tenho perguntas para a polícia e para o Ministério Público, vejam:

Houve crime de constrangimento ilegal durante a invasão? Há inquérito instaurado, ou requisição do Ministério Público para que se investigue este crime?

Os policiais que entraram no clube presenciaram algum fato criminoso? Se sim, houve alguma prisão em flagrante? Por quê?

Vou concluir agora.

A punição aos envolvidos na invasão é um fato que deve ser analisado isoladamente aos olhos da lei. Tanto faz se quem estava lá é da torcida organizada, se estava em Oruro ou se estava em outra briga de torcidas.

O simples fato de ter se associado especificamente para cometer crimes é digno de punição. O simples fato de ameaçar é digno de punição. O simples fato de danificar algo que pertence a outra pessoa é digno de punição.

Isso não tem nada a ver com torcedores organizados em si, ou com torcedores de um clube específico. Tem a ver com pessoas que praticaram alguns crimes. E que devem ser punidas.

Pelo bem do nosso futebol, e pelo respeito ao Estado em que vivemos.

Abraços.


Zacha. 

sábado, 25 de maio de 2013

Corinthians e Miami Heat

Fala pessoal,

Tudo certo?

Ontem (sexta-feira) duas análises esportivas me chamaram muito a atenção.

A primeira foi feita por um comentarista estrangeiro (Bruce Bowen) que participava do programa "The book is on the table" da ESPN. A segunda foi feita pelo Tite, em entrevista coletiva que ouvi na CBN/FM de madrugada, salvo engano.

O primeiro analisou o último lance da partida dos playoffs entre Miami Heat e Indiana Pacers. A bola decisiva foi colocada na mão de Lebron James, e ele não decepcionou.

Tite, por sua vez, não viu problema em dizer aos jornalistas qual seria seu time titular.

E o que estes dois fatos tem a ver?

Os dois demonstraram certa indiferença ao "elemento supresa", teoricamente valorizado no esporte.

Bruce Bowen, o comentarista gringo, foi mais claro ao defender o belo lance de Lebron James.

Perguntado sobre a inexistência de um pivô importante na defesa dos Pacers na hora da jogada, e se isto poderia ter feito diferença, Bowen disse: "todo mundo sabia que a bola ia para as mãos de Lebron, a questão era saber quão boa seria a execução da jogada".

Conclusão: seja no Heat, seja no Corinthians, muitas vezes a coisa mais importante não é saber o que o time vai fazer, mas sim se conseguirá fazer bem feito, pois isso é o relevante.

Todo mundo sabe como Tite escalará o time, e, em tese, como esse time deve ser marcado. O importante, na verdade, é saber como será a execução das jogadas que o time sempre faz (o Danilo executará bem o passe para o Fabio Santos na linha de fundo? O Emerson conseguirá cortar bem para o meio antes de bater no gol?). 

Tal análise abre os olhos para a importância concorrente da tática com a técnica. Não adianta um time estar perfeito taticamente se a técnica (responsável pela execução de qualquer jogada) não funcionar.

Percepções simples que às vezes passam batidas.

Abraços!


segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Zizão tá lendo

Fala pessoal,

Finalmente algo bem bacana de se ver.

O Corinthians conseguiu criar um video rápido, engraçado e muito, mas muito interessante pros seus patrocinadores.

Pra quem não viu: http://www.youtube.com/watch?v=ug_YoQsh9PA

Muito boa a iniciativa do time por diversos motivos: usa os jogadores do time (o que é muito pouco comum de se ver no Brasil, infelizmente), aproveita a "desvantagem" do chinês gente boa, pega o vácuo das piadinhas que já circulavam na web, cita nominalmente os patrocinadores do clube, etc.

Parabéns ao criador da idéia.

Abraços

domingo, 5 de maio de 2013

Neymar e o "prejuízo" do Santos

Fala pessoal,

Faço uma breve reflexão sobre o pavor que supostamente está surgindo nos corredores do Santos.

Dizem (sim, "dizem" na terceira pessoa do plural mesmo, porque a imprensa toda publica isso, mas eu nunca soube qual é a fonte) que há a preocupação no Santos de que o Neymar sairia do clube apenas ao final de seu termo contratual, o que faria o clube sair de mãos abanando numa eventual negociação.

Há de se dizer que, geralmente, o clube ganha dinheiro na transferência de um jogador pois ele não cumpre o seu contrato até o final. Assim, como "rompe" o seu contrato, o  jogador tem que pagar uma multa prevista ali (normalmente é o clube contratante que paga, p. ex. Real Madrid, Barcelona, etc).

Cumprindo seu contrato até o final, Neymar não vai descumprir nada, e vai fazer o que quiser.

É muito interessante notar que essa discussão somente tomou a dimensão que tomou por ser Neymar. E também por muitos jornalistas desconhecerem a lógica da negociação de um contrato de jogadores de futebol.

Explico.

Bom, vamos pensar num jogador de 18 anos chegando num clube como o Santos, ok?

Basicamente, ele chega lá como um "Zé Ninguém", como uma promessa, geralmente.

Por um lado, o clube não vai querer pagar um salário muito alto para o jogador nem firmar um compromisso muito longo, uma vez que pode ficar "preso" por contrato ao jogador que se revele fraco, ou que tenha problemas de relacionamento, por exemplo (casos muitos identificados com essas situações são os de Lulinha, no Corinthians, e Fábio Costa, no Santos - a despeito da minha opinião pessoal sobre os dois, ok?).

Por outro lado, o clube não vai poder pagar tão pouco assim ou firmar um contrato muito curto, porque se aquele jogador "explode", vai ser muito barato para outro clube aparecer por ali e levar o jogador embora - pagando a multa contratual (que será baixa) ou esperando o final do contrato (que será rápido).

Pensando pelo lado do jogador agora.

O jogador de 18 anos recém chegado ao Santos, em princípio, não vai querer ganhar pouco (óbvio) nem ter um contrato curto. Salário alto é muito bom, e contrato longo dá uma segurança a mais para a vida financeira do jogador (imagina se ele destrói o joelho e o contrato dele é de 6 meses? Vai ser difícil arranjar outro clube que o contrate).

Por outro lado, o jogador sabe que se tiver um salário muito alto e um contrato muito longo, será bem difícil conseguir um clube novo que o contrate caso ele queira sair do Santos no meio da vigência contratual - a multa contratual seria muito alta.

A menos que esse cara fosse o Neymar.

Vamos ver o caso dele um pouco mais de perto. E vamos imaginar o Neymar (seus agentes, na verdade) sentado numa mesa de negociação.

Neymar é um jogador especial. Rende muito dentro de campo, atrai muitos patrocinadores, e é esperança do país para a Copa do Mundo.

Isso significa que sempre (ou por um booom tempo) haverá forte demanda pelo "produto" Neymar.

Basicamente, ele tem muita força na mesa de negociação.

Se o Santos oferecer um salário baixo para ele ele vai embora. Tem quem queira.

Se o Santos oferecer um contrato curto, e ele quiser um longo, ele vai embora. Tem quem queira.

Se o Santos oferecer um contrato longo, e ele quiser um curto, ele vai embora. Tem quem queira.

Viram a dificuldade para o Santos?

Não é difícil imaginar, portanto, como foi custoso para o Santos manter o craque por aqui.

Agora, com o contrato se aproximando do fim, chovem críticas. Dizem que deveriam ter prorrogado o contrato antes, ou que não deveriam ter pago tanto, etc, etc.

Mas a maioria dos críticos deixa de perceber algumas coisas. O lado forte da negociação, diferentemente da maior parte das negociações envolvendo jogadores de futebol, era Neymar. E, principalmente, não percebem que uma grande parte do que o Santos deixar de receber nessa negociação ao final do contrato será percebida justamente durante a vigência do contrato (com patrocínios, exposição da marca, etc).

Vejo muitas críticas. Pouca observação ao caso específico.

Abraços

Lucio na reserva

Fala pessoal,

Voltando brevemente à ativa.

A imprensa de hoje já está anunciando Lucio no banco contra o Corinthians.

Impressionante como parecem criar drama com tudo.

Será que simplesmente não é uma forma de "aquecer" o time para o próximo jogo da Libertadores, que não contará com a presenção do zagueirão?

Pode ser. Pode não ser.

Mas o que impressiona é a constante escolha da imprensa pela versão que rende mais fofocas.

Abraços!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Neymar e as firulas

Fala pessoal,

Mais uma vez as firulas e dribles do Neymar em campo viram notícia.

Minha opinião não muda: o cara tem todo o direito de fazer o que quiser com a bola rolando (seja drible ou firula), da mesma maneira que o jogador adversário tem o direito de fazer a falta que entender por bem.

Parece contraditório, certo? Eu me explico!

O drible E a firula são recursos totalmente legítimos e permitidos pela regra. Eu entendo que o cara tem todo o direito de brincar com a bola, seja com objetividade ou não (aqui acho que me diferencio de comentaristas em geral, que falam em "falta de respeito").

Todo mundo sempre diz que o objetivo do drible tem que ser o gol, ou seja, se o cara dribla "pra trás", é possível dizer que ele está desrespeitando. Acho que o entendimento tem que ser outro. O drible, para mim, tem que ser visto tanto como uma maneira de buscar o gol como de provocar legitimamente o adversário. Se o cara perder a cabeça e agredir o driblador, ótimo para o driblador!

Aí está outra diferença do meu pensamento.

O Globo Esporte, por exemplo, defendeu o fair play do adversário que não fez a falta em Neymar. Ok. Mas se ele fizesse, não acho que teriamos que condená-lo, afinal, falta por falta, o cara está utilizando um recurso também permitido pela regra: FAZER FALTA. O problema, na minha opinião, seria o juiz não marcar a falta, ou dar um eventual cartão, nos casos mais fortes.

O problema é que a visão que sempre temos sobre lances "firuleiros" é viciada.

Sempre que o driblador começa a driblar, o marcador perde a cabeça porque acha que vai ficar desmoralizado se não fizer algo contra o desrespeito contra sua pessoa. E sempre que o driblador sofre a falta faz um teatro e dá entrevistas falando sobre a falta de esportividade do outro.

Que tal seria se o driblador driblasse, o marcador fizesse a falta, os dois levantassem e saissem jogando normalmente??

Acho que ainda falarei mais sobre isso!

Abraços

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O impacto de Federer e Nadal no Brasil

Fala pessoal,

A notícia mais bacana do tênis nesta semana, além do título do Bruno Soares, foi a vinda do Rafal Nadal ao Brasil.

A informação foi recebida com bastante alarde pela imprensa (não era para menos), mas o que me chamou um pouco a atenção foi as opiniões sobre o impacto que esta visita pode ter no esporte nacional.

Discordando da maioria dos ótimos especialistas que li (ex: Paulo Cleto: http://colunistas.ig.com.br/paulocleto/2013/01/16/paralelos/#comments ; Fabricio Gallas: http://blogs.lancenet.com.br/tenis/2013/01/15/nadal-no-brasil-muito-bom-mas-em-quais-condicoes-ele-vem/), acho que as visitas de Federer e Nadal por aqui não trazem muitos benefícios.

Como amante do tênis eu acho fenomenal a oportunidade de ver os caras de perto. Mas o efeito que isso traz para o esporte em si, eu já não sei...

Discordo dos mestres por alguns motivos.

Primeiro, acho que Federer/Nadal no Brasil são aproveitados apenas por uma casta elitizada, em função, principalmente, dos preços dos ingressos. Isso significa que os eventos são pra poucos, que tem grana pra pagar o ingresso - isso não é uma crítica a quem tem grana, ou à organização do evento, porque eu acho que eles tem que fazer o que dá dinheiro mesmo, afinal são empresários; eu estou discordando do impacto do evento pro esporte!

Segundo, acho que só prestará atenção ao evento que JÁ gosta de tênis, infelizmente. Acho que, em razão da maneira como o evento é anunciado e promovido, poucos "não interessados" vão aproveitar, ou seja, o público alvo não aumenta em nada - são os mesmos amantes, porém ao invés de verem Rogerinho e Bellucci jogar, verão Nadal. Mais uma vez, não é crítica ao evento!

Como um argumento à minha opinião, basta lembrar de quantos eventos um tenista número 1 jogou no país, e que efeito isto deve no esporte? Nenhum. Estou falando de Guga. Sim, ele disputou torneios no Ibirapuera, no Harmonia, na Costa do Sauípe e em Floripa, só pra exemplificar.

Em minha opinião, eventos com grandes tenistas servem a propósitos imediatos. A empresa promotora ganha dinheiro, a imprensa ganha matéria, e os JÁ fãs ganham autógrafos. Mas, passando isto, o que sobra?

Não acredito que isto aumente o interesse pelo esporte no Brasil, pois, como já disse, quem olha pra esse evento é quem já faz parte da base de interessados.

Não acredito que o evento crie uma atmosfera de competitividade boa, digo, um ambiente sadio para os atletas locais se motivarem, pois, como todos sabem, essa é uma iniciativa pontual (no ano que vem Federer não volta pra outro Tour, muito menos Nadal, que escolheu São Paulo pela chance de jogar um pouco mais em sua recuperação, e não arriscar torneios difíceis logo de cara).

Falei.

Abraços!

Jornalismo esportivo

Fala pessoal,

Tudo certo?

Já falamos muito por aqui a respeito do marketing esportivo, e, na maioria das vezes, com um olhar bem crítico. Ultimamente me deu vontade de fazer o mesmo com o jornalismo no esporte.

Bom, sem maiores demoras, passemos ao assunto.

A crítica principal aqui é para a maneira como é feita a divulgação de esportes e atletas no Brasil.

Um livro muito interessante que tenho lido, à respeito da criação e cultivo de marcas (ou "branding", pra quem preferir), explora o caso da ESPN norte-americana, e como este veículo de comunicação se tornou uma máquina de criar fãs, ídolos, entretenimento, notícia, e, claro, dinheiro.

É bem interessante a maneira como a ESPN trata seu produto e veicula sua imagem, afinal, a publicidade do canal é feita não por meio de anúncios, mas pelo próprio conteúdo de seus canais (televisão, revista, site, etc).

Comparando o caso da ESPN americana com a brasileira, acho que é possível perceber um pouco mais fácil o que falta na nossa mídia jornalística e, consequentemente, na publicidade esportiva.

Por lá, desde o começo, valorizou-se muito a produção de um conteúdo que destacasse os méritos da conquista individual esportiva. Veja, aproveitando-se da valorização capitalista da meritocracia, e da idolatria da imagem do "self made man", a ESPN transportou para o mundo dos esportes o paradigma do homem vencedor.

Assim, ganhou espaço na mídia aquele atleta que conseguiu personalizar o sonho do homem comum americano, qual seja, o homem que incorpora o valor do trabalho duro e dedicado, e que busca se superar a cada dia em seu ambiente de trabalho. Esse era o sonho da população, e esse foi o atleta que a ESPN buscou divulgar.

Por aqui, infelizmente, não se vê uma simbiose entre o conteúdo da programação e os desejos e valores buscados pelo espectador esportivo. Por aqui, o que vemos, infelizmente, são matérias geralmente "pasteurizadas" sobre futebol e grandes eventos de outras modalidades.

Como grande consumidor da ESPN e de todo material esportivo que há, acho que posso dizer tranquilamente que queríamos mais. Queriamos a exploração do perfil detalhado de cada atleta, conhecer sua história, suas motivações, suas pequenas vitórias no cotidiano, sua vida fora do campo, etc.

Infelizmente, nem a ESPN nem os "players" do mercado esportivo se abrem ao escrutínio.

Nenhuma atleta quer abrir sua intimidade. Nenhum empresário quer mostrar seu trabalho. Ninguém quer mudar a forma de fazer jornalismo.

Motivos para esta inércia são inúmeros.

Os atletas não tem interesse nenhum em abrir o jogo, para que possamos conhecê-los. Isto implicaria mostrar seu cotidiano de baladas, vida desregrada fora dos gramados (no caso do futebol), vida de luxo (o que não é pecado, na minha opinião, afinal o atleta que venceu merece a recompensa). Fora isso, abrir-se seria um risco, pois aquele atleta pouco preparado e pouco instruido talvez mostrasse pouca ou nenhuma conexão com o público, por falta de carisma, falta de história, ou falta de eloquência.

Os empresários (aqui incluídos clubes, marcas esportivas e agentes) não querem mudar pois do jeito que está se ganha um bom dinheiro, então por que arriscar? Por que mudar?

Os jornalistas não mudam também por comodismo. A audiência se encontra distribuída de forma cômoda à maioria dos veículos e dinossauros que vemos por aí. Os formatos dos programas não comportam grandes mudanças, pois poucos se adaptariam a isso, seja por incompetência, seja por falta de vontade - e além disso, o medo de mudar e perder audiência é certo, como já falou Tiago Leifert nesta palestra: http://www.youtube.com/watch?v=_sNEn_Fjwc0 )

Quem perde com isso são todos os envolvidos.

É só ver a magnitude que é dada ao esporte no mercado americano, por exemplo. Todos os dias temos jogos, emoção, histórias. É isso que deixa inquieto o fã, que cria memórias inesquecíveis, que gera interesse perene, e, enfim, que gera receita.

O maior argumento da mesmice é o de que o Brasil é o país de um único esporte, o futebol, e que a produção de um conteúdo diferente (sobre basquete, handebol, etc, não daria audiência ou receita).

Bom, isso é uma defesa para a restrição do conteúdo, não do formato, pra começar. Mesmo falando apenas sobre futebol, poderíamos ter programas melhores e diferentes, como o documentário que a própria ESPN fez sobre o futebol de areia.

Não obstante, acho que existe sim espaço para outros esportes, sem que se perdesse audiência ou interesse dos fãs de futebol. Acredito que uma boa história será sempre uma boa história. Ou por acaso algum amante de futebol não se interessou pela frustração do Diego Hipólito nas Olímpiadas ou a consagração do Arthur Zanetti? Ou pela eleição da Alessandra como a melhor jogadora de Hand do mundo? Ou pela peregrinação do Pedro Zerbini, entrevistado por aqui, pra tentar chegar nas cabeças do tênis?

O problema é que ninguém dá atenção para os esportes "menores", então fica muito difícil descobrir essas pequenas grandes histórias fora da época de Olímpiadas, por exemplo. No caso americano, qualquer eventozinho esportivo tem uma câmera, há interesse. Assim, sempre aparece uma imagem de um garoto de 15 anos fazendo uma cesta de 3 pontos a 1 segundo do final da partida, ou um garoto de little league fazendo 3 home runs numa partida.

Como mudar?

Ainda não sei, mas quando descobrir eu aviso.

Abraços

Lance Armstrong, o trapaceiro

Fala pessoal,

Ontem foi sepultado de vez o mito Lance Armstrong.

O símbolo do ciclismo assumiu toda a responsabilidade pelos anos que competiu dopado, enganando todos os fãs que acreditavam na sua história de superação.

O Juca Kfouri publicou um post curto sobre o caso, e o que me espantou foram algumas respostas que recebeu. Quem quiser, vai lá e dá uma olhada: http://blogdojuca.uol.com.br/2013/01/armstrongs/

Eu concordo plenamente com ele. O cara é o símbolo de tudo o que o esporte não é, e de tudo o que o esporte não deve ser. Não se pode justificar o doping com a "vontade de vencer a todo custo". Peraí, voltemos ao significado do que é o esporte, e do que é um esportista.

Acho incrível que algumas pessoas se manifestem dizendo "poxa, mas a culpa não é dele, todo mundo se dopava, não foi ele que inventou o doping, a culpa foi das entidades de fiscalização que não pegaram ele, etc...". Na boa, o cara que trapaceia não tem desculpas. Eu amo e assisto todo tipo de esporte porque quero ver o que um ser humano nascido na mesma espécie de todos os reles mortais consegue fazer com dedicação, treino e força de vontade.

Admiramos atletas porque eles conseguem ser superiores em sua capacidade física, técnica e mental. A partir do momento em que a capacidade física do cara é resultado não de sua dedicação (ou dádiva divina, que seja) mas de um mecanismo trapaceiro e mentiroso, ele está rindo da minha cara e pervertendo tudo o que o esporte simboliza, que é a vitória do melhor.

Se todos faziam, TODOS estavam errados, são uns trapaceiros, não esportistas. Ah, e usar o doping em treino ou competição dá na mesma hem, porque a vitória é construída justamente no treino, especialmente no ciclicsmo, que é esporte de resistência!

Culpar as agências anti-doping também é piada. Quer dizer que se um bandido mata alguém e a polícia não o captura, a culpa do crime e do sofrimento da família é da polícia que não o flagrou?

O pior de tudo nessa história, para mim, é o tapa na cara que recebem os atletas de verdade, ou aqueles 5 que não competiam dopados, segundo Armstrong. Afinal, enquanto o mentiroso ganhava fortunas, fama e todo tipo de oportunidades, eles, os verdadeiros esportistas, ficavam nas sombras, ignorados pelo público e com todo seu verdadeiro esforço desprezado, para que o mundo inteiro ficasse de joelhos para um trapaceiro.

Ah, eu assisto ao ciclismo sim, viu, só pra deixar claro. Porque parece que se você não comenta sobre o ciclismo frequentemente, você não tem o direito de criticar um atleta desse esporte...

Abraços