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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pistorius e um causo

Fala galera,

O Oscar Pistorius, pra quem não sabe, é aquele sul-africano que corre com uma prótese nas duas pernas.

Ele tem competido regularmente entre os atletas top já faz um tempo. Hoje a polêmica que envolveu esse cara, que pra mim é um exemplo do que o esporte pode ser na vida de uma pessoa, fez com que me lembrasse de uma outra história.

O Pistorius era um cara que competia entre as pessoas com deficiência, mas era tão bom, mas tão bom, que resolveu dar um upgrade e correr com as pessoas sem deficiência alguma. O "problema" é que ele começou a ganhar...

Aí os dirigentes esportivos resolveram refletir um pouco sobre isso, e inicialmente chegaram à conclusão de que as próteses estavam ajudando o cara a ter um desempenho superior, ajudando-o a vencer, então teriam que vetá-lo das competições. Claro!

Bom, a celeuma foi resolvida, como todo mundo sabe, mas acabei lembrando de uma outra história bem curiosa.

Certa vez, os organizadores de uma maratona de revezamento resolveram incentivar as equipes profissionais que participassem, e falaram que pagariam um prêmio extra caso os atletas corressem a prova abaixo de 2 horas.

Claro que os profissionais se uniram em equipes de 8 pessoas, pra poderem "voar".

No dia anterior à prova, ao que consta, durante os últimos ajustes da pista, os organizadores resolveram empurrar uns 10 metros pra trás um cone que marcava uma curva em formato de "U". Não perceberam que isso reduziria muito o percurso (10 metros para ir e voltar, sendo 20 metros a menos no total para cada um dos 8 atletas que passasse por ali).

E o que aconteceu?

Não uma, mas duas (!) equipes conseguiram terminar a prova abaixo de 2 horas! E, claro, a redução da pista teve grande parte nisso.

Os organizadores acharam então um jeito de tirar o prêmio de pelo menos um equipe, sabe como?

Um dos atletas da equipe X tinha ficado doente no dia anterior, então o melhor atleta da equipe resolveu abrir E fechar a prova, ou seja, ao invés de correr com 8 atletas, correu com 7, e mesmo assim conseguiu terminar abaixo de 2 horas.

Para os organizadores, no entanto, não exisita permissão para correr com equipes de 7 pessoas, então não dariam o prêmio.

Lembrei dessa história por causa do Pistorius. Corredor sem prótese pode, assim como equipe com 8. Mas corredor com prótese, ou equipe com 7 não pode não!

PS: já ouvi falar que o cara que correu 2 vezes foi o Hudson de Souza, campeoníssimo brasileiro, mas não consegui confirmar a história.

abraços!

terça-feira, 3 de abril de 2012

O segredo dos quenianos

A notícia é sobre corrida agora, pessoal.

Há algum tempo li uma reportagem muito interessante do Adharanand Finn na revista Runner´s World, na qual o próprio repórter explora os segredos escondidos na rotina dos quenianos corredores.

Para isso, o louco foi passar uma temporada de 6 meses no Quênia, correndo e vivendo como um verdadeiro queniano.

Tem umas coisas bem interessantes na matéria, como, por exemplo, o fato de ter perdido numa prova para um nativo de 75 anos que corria com os pés descalços.

Descobrimos (eu descobri, pelo menos) que as provas regionais do Quênia podem ser mais acirradas e competitivas do que algumas provas do circuito mundial, a ponto de relegar a um tricampeão da maratona de Londres/ bicampeão da maratona de Nova York a modesta 33ª posição.

A rotina de treinos que o repórter narra é impressionante. Os caras variam treinos de velocidade, com treinos de subida (em que eles basicamente sobem e descem uma ladeira) e, claro, treinos longos.

Duas coisas para as quais o autor chama a atenção são bem interessantes: o descanso dos super atletas e o método.

Primeiro, ele destaca que quando vão descansar, os caras realmente descansam. Ou seja, bem diferente do europeu, ou do americano, eles não vão pro bar descansar (nem pro samba!). Um dos segredos pode estar aí, afinal respeitar o próprio corpo é básico em qualquer esporte.

Nesse sentido, outra curiosidade referente ao méteodo dos quenianos se destaca. O repórter fala que eles são bem "light" com a planilha de treinos. Se o cara tá cansando num dia em que teria que treinar, ele não esquenta a cabeça. Descansa. Simples assim.

Outra vantagem é bem destacada na reportagem. Na região em que o repórter se refugiou, de onde saíram vários atletas de destaque, as crianças não tem escolha: tem que ir correndo pra escola, pra casa e pro trabalho. Ou seja, quando chegam aos 20 anos de idade, os jovens já tem, no mínimo, 12 anos de treinos nas costas... aí complica!

Pra quem curte corrida, recomendo muito a revista. Fora matérias bem legais como essa, eles dão várias dicas bacanas pra todo tipo de corredor (p.ex: o que comer antes de uma prova, como calcular seu ritmo ideal, como montar uma planilha de treinos, etc). Fica o site deles aqui: http://runnersworld.abril.com.br/ .

Abraço!